Trabalho em casa é trabalho?

Vem aí uma lei que pretende regular o que é ou não trabalho em casa e se isso deve ou não ser contado como hora extra. E aí vem aquelas considerações dos dois lados – patrão e empregado (não gosto do termo “colaborador”; se o cara trabalha pra alguém ele é empregado e ponto). Atender o telefone às dez da noite é hora extra? Responder e-mails aos domingos é hora extra? Não tenho opinião formada, mas gostaria de discutir alguns pontos.

Em primeiro lugar gostaria de saber se alguém atende o telefone por vontade de resolver um pepino e aliviar o dia seguinte ou se o patrão assim exige – sabe aquela coisa de vestir a camisa? Acho que tem que resolver as coisas no horário de trabalho. Não gosto do profissional que abdica da vida social pra dizer que sofre pela empresa. Empresa não tem coração, tem CNPJ, e se precisar mandar embora aquele cara que rala igual a um camelo, vai mandar; mesmo porque não adianta ralar muito e produzir pouco – o mal do brasileiro.

Mas o cara pode querer adiantar um processo. Aí já vale. Se o negócio for medido por produção (metas), e o camarada atinge sabe-se lá como, dane-se. Se ainda conseguir fazer tudo isso e curtir um happy hour e o fim de semana, esse é o cara!

Segundo, até onde vai a legislação e começa a má fé? Outra praga no Brasil é a esperteza. Sempre vai ter aquele cara que vai atender o telefone à noite, responder os e-mails aos domingos na hora do futebol, não vai resolver patavina e ainda requerer hora extra em dobro.

Sou autônomo há quase vinte anos, depois de dez anos em um banco estatal, onde pedi exoneração do cargo de caixa. Lá era o inferno na torre. Pessoas que como eu davam o sangue e pessoas que não faziam nada e falavam o quão trouxa eu era, já que ganhava o mesmo que eles. Bom, eu saí, o banco faliu e foi comprado por um particular. E quem ainda está lá vai de mal a pior.

Sempre fui a favor do livre comércio e acho que tudo que o governo faz pra ”ajudar” esse sistema, ele estraga.

Temos ótimas relações entre patrões e empregados. O problema é que quando essa relação azeda, temos os três versões da história: a do patrão, a do empregado e a verdade.

Abraço e até o próximo post!

Zeca Salgueiro

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